APELES _ CRUX

Audição exclusiva do álbum, 6 de agosto via Balaclava Records.

PRESSKIT: https://bit.ly/2YCMvcK

(Release, WAV, Foto Promo, Letras, Ficha Técnica)

Release

Por André Felipe de Medeiros

 

Uma das lembranças mais fortes que tenho de quando conheci Eduardo Praça - lá atrás, em 2011, quando Quarto Negro lançava “Desconocidos” -, foi ele me contar que as músicas do então novo disco não eram autobiográficas, mas histórias que tinha ouvido de amigos, ou narrativas baseadas em filmes e livros. Difícil acreditar, tamanha a aparente carga pessoal que as letras pareciam ostentar. 

 

Oito anos depois, a audição de “Crux” vem acompanhada da informação de que, sim, vários dos verbos em primeira pessoa ao longo deste novo álbum têm o eu-lírico como o próprio autor, ou aquela fração de si que ele projeta no nome Apeles. Segundo o músico, as letras trazem principalmente investigações sobre seu comportamento, baseadas também em leituras sobre psicologia e sobre fé. Beneficiado por estar em Berlim, longe da terra onde nasceu e cresceu, ele pôde olhar para si mesmo sob uma nova ótica e, munido do status de veterano que os 15 anos na música lhe concedem, desenvolver uma força literária ainda maior em cada uma das oito faixas que compõem a obra.

 

Tem sim a ver com as letras, que acumulam sentimentos crus com uma refinada franqueza, mas a expressividade é grande também nos arranjos e ambientações existentes nas canções. Como produtor, Apeles conduziu cada elemento gravado em favor de sua narrativa, criando uma indissociável interação entre palavra e som. É um álbum para se ouvir notando como cada timbre é também dramático, e como cada elemento não-musical, como os pequenos insertos em algumas faixas, tem seu papel rítmico e harmônico na percepção da obra.

 

Devo usar como argumento mais uma vez sua experiência para reconhecer o grau de autoralidade presente em cada aspecto de “Crux”. Enquanto Apeles, Eduardo Praça soube desenvolver a identidade estética que já conhecemos de seus trabalhos anteriores, além de ousar incorporar novidades, como o flerte com a música Disco. Ele soube também garantir que o disco tomasse os rumos que precisava, seja ao experimentar com um andamento mais lento para as faixas, ao sentir quando era para convidar algum outro músico para estar com ele no estúdio, ou ao perceber que deveria ele mesmo assumir pianos e sintetizadores em algumas delas, se lançando em uma dinâmica tão diferente das guitarras que fez e faz com Ludovic.

 

Acima de tudo, a maturidade lhe fez entender que uma obra dessas merecia que as muitas vezes que a palavra “eu” aparece expressassem mais diretamente a pessoa por trás disso tudo. E, em como toda boa história ou poema, nós ouvintes temos o prazer de projetar também os nossos “eus” como resposta aos dramas pessoais que Apeles enuncia com aquela intensidade que gostamos de reconhecer em seu trabalho.

Para contatar o artista: contato@apeles.com.br

Para shows: info@balaclavarecords.com